quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Entre a "dor" e o "nada", o que você prefere?



Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal,

nem estou sugerindo que as pessoas insistam em
sentimentos que não são correspondidos,
em relacionamentos que não são recíprocos,
mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto
considero válida a coragem de recomeçar,
ainda que seja a mesma relação;
a coragem de continuar acreditando, sobretudo
porque a dor faz parte do amor, da vida,
de qualquer processo de crescimento e evolução.


Quando você se perguntar “do que adianta amar,
tentar, entregar-se, dar o melhor de mim,
se depois vem a dor da separação,
do abandono, da ingratidão?”,
pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das
relações rasas? Então você prefere a vida sem intensidade,
os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor?
Você prefere o nada, simplesmente para não doer?

Não quero dizer que a dor seja fácil,
mas pelo amor de Deus,
que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver.
Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas
nos remetem.
Que me venha logo, sempre e intensa,
a dor do amor...

Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado
com o brilho da Lua...
Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o
cheiro de terra molhada...
Prefiro o recolhimento cinza e solitário do
inverno a nunca ter me sentido
inebriada pela magia acolhedora do outono,
encantada pela alegria colorida
da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão...

E nesta exata medida, prefiro a tristeza da partida a
nunca ter me
esparramado num abraço...
Prefiro o amargo sabor do “não” a nunca
ter tido coragem de sair da dúvida...
Prefiro o eco ensurdecedor da saudade a nunca
ter provado o impacto de um beijo forte e apaixonado...
daqueles que recolocam todos os nossos
hormônios no lugar!

Prefiro a angústia do erro a nunca ter arriscado...
Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto
meu coração...

Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca
ter amado ensandecidamente.

Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca
ter tido a audácia de viver com toda a minha alma,
com todo o meu coração,
com tudo o que me for possível...
Enfim, prefiro a dor,
mil vezes a dor, do que o nada...

Não há de fato
algo mais terrível e verdadeiramente doloroso do que a
negação de todas as possibilidades que antecedem o “nada”.

E já que a dor é o preço que se paga pela
chance espetacular de existir,
desejo que você ouse,
que você pare de se defender o tempo todo e ame,
dê o seu melhor,
faça tudo o que estiver ao seu alcance,
e quando achar que não dá mais,
que não pode mais,
respire fundo e comece tudo outra vez...

Porque você pode desistir de um caminho que não seja bom,
mas nunca de caminhar...
Pode desistir de uma maneira equivocada de agir,
mas nunca de ser você mesmo...
Pode desistir de um jeito falido de se relacionar,
mas nunca de abrir seu coração...

Portanto, que venha o silêncio visceral que
deixa cicatrizes em meu peito
depois das desilusões e dos desencontros...
Mas que eu nunca,
jamais deixe de acreditar que daqui a pouco,
depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar,
vou viver de novo,
vou doer de novo e sobretudo,
vou amar mais uma vez...
e não somente uma pessoa,
mas tudo o que for digno de ser amado!


Texto de: Rosana Braga

" tentar e errar mas
não desistir de tentar!"

2 comentários:

  1. É isso mesmo tentar, tentar novamente ir em frente vencer, parabens seu bloh é lindo maravilhoso. Abraços Heudes

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  2. pois é... cabeça erguida sempre!!
    Obrigada!
    abraços

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